Chuvas alagam plantações e causam prejuízos no campo em municípios de Roraima
31/05/2026
(Foto: Reprodução) Escoamento de produção da agricultura familiar e indígena em Roraima foi comprometida por inundações.
Raquel Maia/Rede Amazônica
As fortes chuvas que atingem Roraima inundaram plantações e causaram prejuízos a agricultores e pecuaristas, especialmente no município de Bonfim, ao Norte do estado. Comunidades inteiras perderam roças sob a água, enquanto atoleiros em estradas impedem o transporte de gado e o escoamento de soja.
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Na comunidade Marupá, localizada no Bonfim, a força da enchente devastou o meio de subsistência das famílias. A plantação de mandioca, que é a principal fonte de renda e alimento dos povos indígenas da região, foi levada pela água.
"Nós perdemos mandioca, perdemos abóboras, perdemos banana. A nossa roça fica igual açude. Lá dentro só dá pra ver o mar e a folhinha de banana. Lá dentro da comunidade é muito triste ver isso", lamenta o agricultor e ex-liderança indígena, Terêncio Salomão.
Além da agricultura familiar, o agronegócio também contabiliza perdas. As condições da rodovia estadual RR-207 preocupam os produtores rurais de Bonfim que dependem da rota para vender a colheita e receber insumos. Em uma das principais áreas de cultivo, a estrada de terra foi coberta por lama.
"Para a gente é ruim porque isola as fazendas na hora de escoar a produção, tanto de soja quanto de gado. A maioria dos caminhoneiros não quer nem entrar aqui porque sabem do estado da rodovia", relata o pecuarista João Valêncio.
Diante da falta de infraestrutura, que é um problema histórico na região, os produtores criaram a Associação dos Moradores e Produtores da Serra da Lua. Segundo Valêncio, o grupo se mobiliza desde o ano passado para pedir soluções ao poder público.
Os danos à agricultura também se repetem em outras regiões. No Uiramutã, o município mais indígena do Brasil, uma roça do povo Ingarikó desapareceu completamente após a inundação da área. A água barrenta comprometeu o abastecimento, e os moradores ficaram sem água potável.
Para apoiar as vítimas das enchentes, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedc) anunciou a criação de uma força-tarefa, que atua em conjunto com o Corpo de Bombeiros de Roraima. O transporte de moradores e de mantimentos em áreas isoladas é feito por embarcações.
Municípios em emergência
Comunidade indígena Ingarikó, no Uiramutã, após fortes chuvas dos últimos dias em Roraima
Defesa Civil de Uiramutã/Divulgação
Até o momento, os temporais já causaram impactos em dez municípios de Roraima. Desses, cinco precisaram decretar situação de emergência: Mucajaí, Bonfim, Uiramutã, Normandia e Rorainópolis.
Em Bonfim, a força das águas derrubou três pontes e isolou cerca de 7,5 mil pessoas. No Uiramutã, o acesso terrestre foi totalmente interrompido neste sábado (30) após a queda de mais uma ponte.
Já em Normandia e Rorainópolis, a cheia dos rios rompeu estradas, deixou comunidades isoladas e milhares de moradores afetados, forçando o deslocamento de famílias.
Veja reportagem sobre o tema:
Temporais em Roraima têm impacto na agricultura do estado
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